
Solar Monte Elíseo
Aos turistas, a tradição vai contando, orgulhosa, que Dom Pedro II nele se hospedou, que a Princesa Isabel, periodicamente, visitava os familiares ali residentes, que Caxias...
O Solar nasceu logo após a Independência do Brasil. Já ouviu muito canto de passarinho. Já viu florir quase 200 vezes os flamboyants, paineiras e ipês dos seus arredores. E, assim, o casarão guarda na memória gracioso toque lendário.
Conta a história que Francisco José Domingues, senhor de cinco fazendas, além de fazendeiro progressista, era ativo negociante. Promoveu o comércio de Macaé com as regiões vizinhas e, sobretudo, com a Corte Imperial, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Suas atividades ficaram conhecidas em sua pátria de origem - Portugal - pelo que o Rei o credenciou com o título de Visconde. Casou-se com D. Luiza Leopoldina Guimarães de Araújo, nobre dama da aristocracia de Pelotas, na então província do Rio Grande do Sul. O casal fixou residência em Macaé, no prédio, onde hoje funciona a Câmara Municipal. D. Leopoldina, porém, já Viscondessa de Araújo, quis transferir residência para a Fazenda Caturra, num casarão de um só pavimento. Apesar das amplas acomodações e de todo conforto da época, gozando da encantadora visão panorâmica de toda a região, aquela casa não era ainda o que desejava o jovem Visconde de Araújo para a sua nobre dama-esposa. Assim, imaginou o Visconde, a construção de um SOLAR de estilo europeu, semelhante aos muitos que conhecera na velha Europa.
Em 1852, iniciou a obra do Solar. Foram 14 anos de construção na Fazenda Caturra. O Solar recebeu o nome de “Monte Elíseo” por influência do Monte Elíseo de Paris e dos ventos elíseos que ali sopram. O prédio foi dotado com os melhores e mais custosos materiais, desde telhas francesas Marseille, madeiramento de pinho de riga, até acabamentos de luxo e decorativos. Artífices afamados do Velho Mundo, decoração de safenas douradas, resposteiros e cortinas estilo renascença francesa compuseram o processo da construção do Solar. Não faltaram as modelares instalações sanitárias com louçarias francesas.
Cumpre ressaltar ainda a magnífica obra de talha e engenharia que é a escada de acesso ao andar superior, em arrojada espiral de degraus, nas dimensões clássicas, e os atuais paredões, com ameias e fortins que o povo denominou de "guaritas", que ainda caracterizam a monumental construção.
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