
O escritor Marcelo Barros, no seu livro “Dom Helder Câmara – Profeta para os nossos dias” tem um pensamento muito bonito. Ele diz: “Cada pessoa tem, no mais intimo de si, uma música interior, pode descobrir e aprimorar a sua dança sagrada, o ritmo harmonioso que revela o seu ser e o divino que é nossa essência. Esta é a fonte da beleza que, nas mais diversas expressões das artes humanas, podemos desenvolver”.
Também Dom Bosco na sua arte de educar relatava sempre a seus seguidores: “Cada jovem tem em si uma corda que vibra, cabe a nós enquanto educadores fazê-la vibrar”.
Enquanto a nossa música interior tocar a nossa vida tem grande sentido. Se a música parar, se as nossas utopias deixam de nos atrair e arrastar, termina o baile de nossa vida. A dança da vida precisa ser animada pela harmonia e pelo ritmo das nossas crenças, pelo fogo do nosso interior, por nossa essência, que é divina. Isto eu chamo de alma, de anima, de sopro, de vida. Esta é a grande razão do nosso viver.
Os desafios que se apresentam na contemporaneidade exigem múltiplas e conectadas ações em diferentes âmbitos da sociedade. Por isso, a educação assume uma perspectiva de manter viva a esperança, ela é imprescindível num tempo em que a humanidade parece atordoada. Numa época em que globalização, guerra preventiva e terrorismos se apresentam como ameaças de uma total desintegração dos laços humanos entre si e com todo o cosmos, nas palavras do educador espanhol Xesús Jares, é oportuno dizer que a esperança é uma necessidade vital, é o pão da vida e, como tal, faz parte da mais pura essência da natureza dos seres humanos.
Sabemos que o ser humano pós-moderno, identificado pelo exacerbado individualismo, que se expressa na sociedade de mercado tem dificuldade de incluir na sua agenda questões que envolvam a solidariedade, o respeito, a tolerância, a cidadania, enfim, tudo que envolve o cuidado da vida em suas diversas manifestações.
São palavras da Madre Yvonne Reungoat, Superiora Geral das Filhas de Maria Auxiliadora, na sua Circular mensal de nº 900:
“As jovens e os jovens têm não só problemas, mas entusiasmo, vitalidade, generosidade, desejo de uma vida plena e abundante. Juntos, devemos recobrar a força de fazer propostas corajosas. Estamos conscientes dos desafios que precisamos enfrentar todos os dias. A comunidade de Corinto, nos tempos do apóstolo Paulo, vivia sob fortes tensões e estava exposta ao perigo, mas Paulo encontrava força para falar aos habitantes de Corinto sobre a dimensão desconcertante da cruz de Jesus. A cruz exprime a lei fundamental do amor, o segredo para viver uma vida densa de significado, aberta à esperança.
Maria nos ensina que ninguém fica indiferente diante daquele que deu a vida por nós. Transmitamos aos jovens a certeza de que Ela nos leva pela mão, para levar-nos a Jesus. Precisamente porque ela é pura e transparente, simples e verdadeira diante de Deus, podemos nos apresentar a Maria na nossa fraqueza, entregar a ela nossos questionamentos e nossas dúvidas, explicitar nossas esperanças e desejos mais secretos. Graças a Ela, podemos descobrir que a vida humana não é um peso, mas uma asa que permite voar mais alto e nos aconchegar nos braços do Senhor (cf Bento XVI, 14/09/2008)”
«Maria é o espaço humano, pequeno mas dócil, em que Deus realiza grandes coisas; é o testemunho do que uma criatura pobre e humilde pode se tornar, se se deixa habitar por Deus» (Atos n. 20). Esse pequeno espaço habitado por Deus se torna espaço para os outros. «Maria se levantou – lemos no evangelho de Lucas – e foi apressadamente a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel» (Lc 1,39-40).
O encontro com Deus é inseparável do encontro com as pessoas às quais Ele nos manda. O amor coloca de pé, põe a caminho, ansioso de se comunicar. Depois da intervenção de Deus nela, Maria intervém na vida dos outros. A primeira evangelizada se torna a primeira evangelizadora.
Dizendo sim ao Pai que a chamava a ser mãe do Filho entregue por nós, Maria disse sim à futura missão de Jesus, uma missão de amor para a salvação de cada pessoa humana. Aproximou-se tanto da fonte do amor, que se tornou mestra de todos os que se empenham em percorrer o mesmo caminho.
O amor de Deus está na origem de toda vocação. O sim do amor é, antes de tudo, o sim de Deus à pessoa humana.
Com o fiat, Maria entrega a Deus as suas potencialidades, decide deixá-lo agir na sua vida. Mas, exatamente mediante essa decisão, torna-se colaboradora de Deus. A renúncia a gerir as suas possibilidades humanas lhe alcança uma realização que supera toda esperança: aquela que se proclamara serva do Senhor, torna-se sua mãe.
No mês de maio, em que comemoramos as nossas mães, peçamos a Virgem Maria, protótipo das Mães, que nos ensine a entendermos a sagrada missão da maternidade. Não entendemos de amor, se não formos capazes de reverenciar o amor de nossas mães. Este amor genuíno nos permite imaginar o que o verdadeiro amor é capaz de operar em nossas vidas.
De joelhos diante do verdadeiro Amor e com os olhos voltados para o céu, louvemos e agradeçamos ao autor da vida por nossas mães.
Que a Virgem Auxiliadora, neste mês a ela dedicado, encha-nos de esperança e ousadia, e ensine-nos a amar e buscar atitudes que dignifiquem a nossa vida, capacitando-nos como educadores para estes tempos tão exigentes e desafiadores.
Preparemos o nosso coração e a nossa casa para a Festa de Maria Auxiliadora - Festa da Escola. Este ano a festa constará de dois momentos: 14 de maio - Celebração Eucarística - às 20 horas na Paróquia Santo Antônio e no dia 22 de maio às 19 horas - Louvor a Maria - Medianeira da Paz .
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