Ir para o Site da Rede Salesiana de Escolas
Instituto Nossa Senhora da Glória
Notícias Responsabilidade Social INSG Calendário de 2010 Biblioteca Online Fale com o INSG Mapa do Site Webmail INSG Macaé

Palavra da Direção

Prezados Pais e Queridos Alunos,
Educar, um contrato de risco

Irmã Ana Tereza Pinto - Diretora da InstituiçãoAnualmente, centenas de escolas surgem no “mercado” de educação, e outras centenas fecham suas portas, desaparecem, deixam de existir. Os empreendedores da área de educação necessitam estar dispostos a assumir riscos e aprender com seus próprios erros.

No mundo corporativo, as pessoas bem-sucedidas reconhecem que seus negócios não são construídos apenas com sucesso, mas também resultam das lições deixadas pelos fracassos. Por isso, para sobreviver nesse mercado de competição acirrada, como é o da educação, é necessário estar preparado, e, nesse caso, preparo é, essencialmente, saber educar.

Mas o que é educar? É a mais nobre e complexa das tarefas. Educar é viajar no mundo do outro, sem nunca penetrar nele. È usar o que pensamos para nos transformar no que somos.

O melhor educador não é o que controla, mas o que liberta. Não é o que aponta erros, mas o que previne. Não é o que corrige comportamentos, mas o que ensina a refletir, a pensar. Não é o que enxerga apenas o que é visível aos olhos, mas vê o invisível. Não é o que desiste, mas o que estimula a começar tudo de novo.

A excelência em educar está em abraçae quando todos rejeitam, animar quando todos condenam, aplaudir os que jamais subiram no pódio, vibrar com a coragem de disputar dos que ficaram nos últimos lugares. O excelente educador não procura seu próprio brilho, mas se faz pequeno para tornar seus filhos, alunos e funcionários grandes.

A excelência na educação não está em quanto se sabe, mas na consciência de quanto não sabe. Educar não é ser viciado em ensinar, mas ávido em aprender. Não é declarar seus acertos, mas reconhecer suas próprias falhas. Não é depositar informações na memória, mas expandir a maneira de ver, de reagir, de pensar e de ser.

Educar é a tarefa intelectual mais instigante e, ao mesmo tempo, a que mais revela nossa impotência como educadores (entenda-se por educadores não apenas aqueles que têm a nobre missão de educar em sala de aula). Trata-se da educação no seu aspecto mais abrangente, ou seja, aquela que começa na sala de casa (educação doméstica), passando pela sala de aula (educação formal).

A educação pós-moderna é a educação da era dos computadores, da internet, dos recursos multimídia. Embora essas ferramentas tenham trazido vantagens significativas, gritantes são as suas falhas. Claro que o uso racional de tecnologias, tais como computador e internet, podem ser úteis para o desenvolvimento da inteligência. Mas nada pode fragilizar e destruir tanto o intelecto como viver na órbita de uma máquina.

Uma máquina não critica, não rejeita, não pressiona, não provoca ansiedade vital ou frustrações existenciais, enfim, não estimula o sistema auto-imune da psique.

No Brasil, atualmente, a média de filhos por família é de apenas 1,7. Muitas famílias têm um único, que não tem irmãos para provocar, levá-lo a reagir, competir, superar, o que o isola mais ainda. Mesmo os filhos únicos necessitam criar uma rede de relacionamentos.

É preciso amar nossos filhos e alunos, mas também é necessário ensinar que a vida é um contrato de risco. É preciso ensinar que há um mundo diferente do espaço controlado em sala de aula, da sala de casa e do ambiente da internet.

Muitos pais têm medo de que seus filhos sofram, não sabem que a melhor maneira de gerar filhos e alunos frágeis e despreparados para os desafios da vida é oferecer-lhes um ambiente isento de estímulos estressantes. A presença intensa de estímulos estressantes pode ser tão prejudicial para a inteligência como a ausência deles.

Jovens educados nesse ambiente só conseguem brilhar se as situações forem previamente conhecidas. Se houver fatores imprevisíveis, bloqueiam a inteligência. Às vezes, são implacáveis consigo e com os outros. Se precisarem recomeçar tudo após falharem, ou dar uma nova chance para as pessoas que os decepcionaram , não conseguem.

É fundamental que as escolas que se propõem a avançar e oferecer uma educação para a vida construam laboratórios de riscos sociais, emocionais, profissionais, onde se criem ambientes que simulem rejeições, perdas, frustrações, competições. Nesses laboratórios, é importante que haja liberdades a serem construídas, novas idéias e formas de defendê-las, bem como maneiras de treinar a garra para vender produtos, serviços ou idéias difíceis de serem explicados.

Esses laboratórios contribuiriam no desenvolvimento de habilidades para lidar com as intempéries reais da vida, produzindo ânimo para os alunos enfrentarem novos desafios. Do contrário, mesmo depois de ocupar por décadas os bancos escolares, podem se tornar apenas frágeis servos do sistema social. Chegarão apenas a lugares já alcançados por outros. A educação que somente nutre a memória está em processo de falência.

A escola que prepara, de fato, para a vida, não é aquela que busca apenas o sucesso exterior de seus alunos, pois este é mera conseqüência, mas oferece uma educação que desenvolve o sucesso interior e as mais excelentes habilidades intelectuais e emocionais.

Boas Férias! Um Natal abençoado.
Que o Ano Novo seja de muitas realizações e que novos caminhos
sejam abertos para aqueles que buscam construir a solidariedade,
 a paz e a Vida abundante para todos!

Um grande abraço e as bênçãos de Deus.
Ir Ana Teresa Pinto – Diretora

Publicações Anteriores

                26/02/2008 Para educar basta amar
        13/11/2007 Aos Pais alunos e Educadores




Instituto Nossa Senhora da Glória - Castelo - Rua Monte Elíseo, s/n - Visconde de Araújo - Macaé/RJ - Tel.: (22) 2791-9500

Desenvolvido por Uriel Marques