
A adolescência é uma fase da vida do ser humano caracterizada por mudanças biológicas, cognitivas, emocionais e sociais, constituindo-se em importante momento para a adoção de novas práticas, comportamentos e ganho de autonomia. É um período marcado pela indecisão, sinalizando a passagem da infância protegida para a exposição à vida adulta. A tendência grupal e a evolução da sexualidade também são aspectos importantes, havendo, às vezes, um descompasso entre a acelerada mudança corporal e a maturidade psíquica o que pode contribuir para a insatisfação do adolescente com seu próprio corpo.
Nessa fase, estimulado pelas intensas transformações, o adolescente torna-se mais vulnerável a comportamentos que podem fragilizar sua saúde, como alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e de drogas. O uso dessas substâncias pelos pais e amigos, assim como o desenvolvimento de sintomas depressivos, são fatores de risco para a experimentação e abuso de drogas pelo adolescente. Na busca de sua própria identidade, o jovem, muitas vezes, adota comportamentos dos adultos, cabendo aos familiares apresentarem-se como modelos saudáveis.
No entanto, além da vulnerabilidade individual, devido às características próprias de seu desenvolvimento, os adolescentes também estão expostos à vulnerabilidade institucional, em virtude da escassez de ações voltadas diretamente para essa faixa etária e da carência de profissionais de saúde especializados para o atendimento de suas necessidades. Da mesma forma, evidencia-se a vulnerabilidade social, quando a sociedade cobra do adolescente o desenvolvimento da maturidade e a entrada no sistema produtivo.
Anualmente, 1,7 milhão de adolescentes no mundo perde a vida, a maioria por acidente de trânsito, suicídio e homicídio, muitas vezes associados ao consumo de álcool ou de outras drogas. No inquérito nacional realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), em 2004, os escolares dos ensinos fundamental e médio de 27 capitais brasileiras apresentaram 23,5% de prevalência de uso de drogas, exceto álcool e tabaco, no sexo masculino, e 21,7%, no sexo feminino. No ano de 1995, Pechanski & Barros identificaram que, entre jovens de 10 a 18 anos, moradores de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, 71% haviam experimentado bebida alcoólica, chegando a quase 100% na idade de 18 anos.
Em inquérito realizado sobre tabagismo entre escolares de 7ª e 8ª séries do Ensino Fundamental (atualmente 8º e 9º anos) e da 1ª série do Ensino Médio (atualmente 1º ano), em 12 capitais brasileiras, foi encontrado alto percentual de experimentação de cigarros entre 13 e 15 anos, variando de 36% no sexo masculino e 31% no feminino, em Vitória, Espírito Santo, Brasil, e de 58% no masculino e 50% no feminino, em Fortaleza, Ceará, Brasil. Em Porto Alegre, 20% fumavam cigarros no momento da pesquisa e 7% consumiam outro tipo de produto derivado do tabaco, além dos cigarros . Os problemas começam com o uso esporádico de álcool, tabaco e outras drogas, passando a ser freqüente ainda nesse período de vida ou na fase adulta.
Rosinete Massière
Psicóloga e psicopedagoga
Fonte: Cad. Saúde Pública vol.24 no.11 Rio de Janeiro Nov. 2008
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